domingo, 30 de setembro de 2012

2° Capítulo: A Marca de Atena

     UM MAR DE SEMIDEUSES APRESSADOS, abriram caminho para Annabeth enquanto ela andava pelo fórum. Alguns estavam tensos, outros nervosos. Alguns estavam enfaixados devido a recente batalha contra os gigantes, mas ninguém estava armado, ninguém atacou.
     Famílias inteiras se reuniram para ver os novos visitantes. Annabeth viu casais com bebes, crianças agarradas as pernas de seus pais, até mesmo algumas pessoas idosas vestindo uma combinação de robes Romanos e roupas modernas. Eram todos semideuses? Annabeth suspeitava que sim, e também ela nunca havia visto um lugar como esse antes. No Acampamento Meio-Sangue, a maioria dos semideuses são adolescentes. Se eles sobreviverem tempo bastante para terminar o Ensino Médio, ou eles se tornam parte do conselho, ou eles começam uma vida nova no mundo mortal. Aqui, era uma comunidade inteira de várias gerações.
     Na extremidade da multidão, Annabeth viu Tyson o ciclope e o cão infernal de Percy, Sra. O'Leary - que foi a primeira "campista" do Acampamento Meio-Sangue a chegar ao Acampamento Jupíter. Eles pareciam bem e alegres. Tyson acenou e sorriu. Ele estava usando uma bandeira, com a inscrição SPQR, como um grande babador.
     Uma parte da mente de Annabeth registrou o quão bonita a cidade era - o cheiro que vinha da padaria, as fontes borbulhantes, as flores nascendo nos jardins. E a arquitetura... deuses, a arquitetura - colunas de mármore douradas, mosaicos deslumbrantes, arcos monumentais, e moradias geminadas.
     Em sua frente, semideuses abriram caminho para uma garota com uma armadura romana completa e capa roxa. O cabelo escuro caindo sobre seus ombros. Seus olhos eram pretos como obsidiana.
     Reyna.
     Jason descreveu ela bem. Mas mesmo sem a descrição, Annabeth escolheria ela como líder. Sua armadura era decorada com medalhas. Ela carregava consigo tanta confiança que os outros semideuses se afastavam e desviavam o olhar.
     Annabeth reconheceu algo em seu rosto, também - no conjunto rígido de sua boca e a maneira deliberada com a qual ela ergueu o queixo como se estivesse pronta para qualquer desafio. Reyna estava forçando um olhar corajoso,  enquanto segurava uma mistura de esperança, preocupação e medo que ela não poderia mostrar em público.
     Annabeth conhecia aquela expressão. Ela a via sempre que se olhava no espelho.
     As duas garotas consideraram uma a outra. Os amigos de Annabeth se separaram para todos os lados. Os Romanos murmuravam o nome de Jason, olhando-o com admiração.
     Então alguém apareceu no meio da multidão, e a visão de Annabeth se fixou nele.
     Percy sorriu para ela - aquele sarcástico, perturbador sorriso que a incomodava há anos, mas que eventualmente se tornou cativante. Seus olhos verdes da cor do oceano estavam tão lindos quanto ela se lembrava. Seu cabelo escuro foi varrido para o lado, como se tivesse acabado de chegar de um passeio na praia. Ele estava ainda melhor do que aparentava a seis meses atrás - Mais alto, mais magro e mais musculoso.
     Annabeth estava aturdida demais para se mover. Ela sentiu que se chegasse mais perto dele, todas as moléculas de seu corpo iriam entrar em combustão. Ela tinha uma queda por ele desde que tinha doze anos de idade. No último verão, ela se apaixonou seriamente por ele. Eles foram um casal feliz por quatro meses - então ele desapareceu.
     Enquanto eles estavam separados, algo aconteceu com os sentimentos de Annabeth. Eles cresceram dolorosamente intensos - como se a forçassem a largar um medicamento que salvaria sua vida. Agora ela não tinha certeza sobre qual iria ser mais excruciante: viver com essa horrível ausência, ou estar com ele novamente.
     A pretora Reyna se endireitou. Com aparente relutância, ela se virou para Jason. 
     - Jason Grace, meu ex-colega - ela falou a palavra colega como se fosse algo perigoso - Desejo-lhe boas vindas de volta a sua casa. E esses, seus amigos...
     Annabeth não queria, mas ela seguiu em frente. Percy foi apressado em sua direção na mesma hora. A multidão ficou tensa. Alguns procuraram por suas armas, que não estavam lá.
     Percy jogou seus braços ao redor dela. Eles se beijaram, e por um momento nada mais importava. Um asteroide poderia atingir o planta e eliminar toda a vida na terra, que Annabeth não se importaria.
     Percy cheirava a maresia. Seus lábios estavam salgados.
     Cabeça de alga, ela pensou inconstantemente.
     Percy se afastou e estudou o seu rosto:
     - Deuses, eu nunca pensei...
     Annabeth agarrou seu pulso e sacudiu-lhe por cima de seu ombro. Ele caiu sobre o pavimento de pedra. Os Romanos clamaram. Alguns avançaram, mas Reyna gritou: 
     - Esperem!
     Annabeth colocou seu joelho no peito de Percy, e seu cotovelo contra sua garganta. Ela não se importava com o que os Romanos pensariam. Um nódulo branco e quente de raiva se expandiu dentro do peito de Annabeth - um tumor de preocupação e amargura que ela vem carregando desde o último outono.
     - Se você me deixar de novo - Ela disse, com os olhos ardendo - Eu juro por todos os deuses...
     Percy teve a ousadia de rir. De repente o nódulo de emoções derreteram dentro de Annabeth.
     - Considero-me avisado - Percy disse - Senti sua falta, também.
     Annabeth se levantou e o ajudou. Ela queria tanto beijá-lo de novo, mas ela conseguiu se controlar.
     Jason limpou a garganta:
     - Então, sim... É bom estar de volta.
     Ele apresentou Reyna a Piper, que parecia um pouco ofendida por não poder usar as falas que tanto treinou, em seguida a Leo, que sorriu e lançou um sinal de paz.
     - E essa é Annabeth, - Jason disse. - Uh, normalmente ela não aplica golpes de judô nas pessoas.
     Os olhos de Reyna brilhavam: - Tem certeza de que você não é uma Romana, Annabeth? Ou uma Amazona?
     Annabeth não sabia se isso foi um elogio, mas ela estendeu a mão. - Eu só ataco meu namorado assim, - ela prometeu. - Prazer em conhece-la.
     Reyna apertou suas mãos firmemente. - Parece que temos muito o que discutir. Centuriões!
     Alguns dos campistas Romanos abriram caminho por entre a multidão. - Aparentemente os oficiais superiores. Duas crianças apareceram ao lado de Percy, as mesma que Annabeth tinha visto ao lado dele anteriormente. O asiático corpulento com o corte militar que deve ter aproximadamente quinze anos. Ele era fofo com um jeito de grande-fofinho-urso-panda. A garota era mais jovem, talvez treze, com olhos cor de âmbar, pele cor de chocolate e um longo e cacheado cabelo. Seu capacete de cavalaria romana estava sobre os seus braços.
     Annabeth pode dizer pela linguagem corporal que eles se sentiam perto de Percy. Eles ficavam ao lado dele de um jeito protetor, como se eles tivessem passado por grandes aventuras juntos. Ela sentiu uma pontada de ciúme. Será possível que Percy e essa garota... não. A química entre os três não era essa. Annabeth com o tempo aprendeu a ler as pessoas. Era uma habilidade de sobrevivência. Se ela pudesse adivinhar, ela diria que o grandão asiático que é namorado da garota, mas com a suspeita de que eles não estavam juntos por tanto tempo.
     Uma coisa ela não entendia: O que a garota estava encarando? Ela mantinha o olhar em direção de Piper e Leo, como se reconhecesse um deles e a memória fosse dolorosa.
     Enquanto isso, Reyna estava dando ordens a seus oficiais: - ...diga pra legião se acalmar. Dakota, alerte os espíritos da cozinha. Peça a eles que preparem um banquete de boas vindas. E, Octavian...
     - Você vai deixar esses intrusos entrarem no acampamento? Um garoto alto com um pegajoso cabelo loiro abriu caminho para frente. - Reyna, os riscos com a segurança...
     - Não vamos deixá-los entrar no acampamento, Octavian. - Reyna lanço-o um olhar rígido - Nós iremos comer aqui, no fórum.
     - Oh, muito melhor - Octavian resmungou. Ele parecia ser o único que não se submetia a Reyna como sua superior, apesar do fato de que era magro e pálido e por alguma razão, carregava três ursinhos de pelúcia no cinto. - Você quer que nós relaxemos à sombra do navio de guerra deles.  
     - Eles são nossos convidados. - Reyna cortava cada palavra - Nós iremos dar boas vindas a eles, e iremos conversar. Como áugure, você deveria oferecer uma oferenda aos deuses por trazer Jason de volta para nós em segurança.
     - Boa ideia, - Percy acrescentou. - Vai queimar seus ursos, Octavian. 
     Parecia que Reyna estava segurando um riso. - Você tem minhas ordens. Vá.
     Os oficiais se dispersaram. Octavian olhou para Percy com absoluta repugnância. Então encarou Annabeth por um momento e se afastou.
     Percy escorregou sua mão até encontrar as de Annabeth. - Não se preocupe com Octavian, - ele disse. - A maioria dos Romanos são boas pessoas, como Frank e Hazel aqui, e Reyna. Nós ficaremos bem.
     Annabeth sentiu como se alguém tivesse colocado uma toalha molhada em seu pescoço. Ela ouviu aquele sussurro e a risada de novo, como se aquela presença tivesse a seguido desde o navio.
     Ela olhou para o Argo II. Os escudos de bronze maciço brilhavam ao sol. Parte dela queria raptar Percy nesse exato momento, escalar a bordo, e sair dali enquanto eles podiam.
     Ela não conseguiu afastar o sentimento de que alguma coisa ia dar terrivelmente errado. E ela não queria de nenhum modo perder Percy novamente.
     - Nós ficaremos bem. - Ela repetiu, tentando acreditar nisso.
     - Excelente, - Reyna disse. Ela se virou na direção de Jason, e Annabeth viu que havia uma espécie de fome e brilho em seu olhar. - Vamos conversar, e nós poderemos ter uma reunião adequada.


     

Fan fic: Não fora muito explicado o por que de...



...Bianca ter se tornado uma caçadora.

Lá estava ela, na arquibancada, com seu irmão mais novo, Nico. Ela observava casais dançando e tentava reconhecer algumas das musicas, só que sua memória falhara.

Até que, a pessoa que ela pensava ser seu vice-diretor, Doutor Espinheiro, tenta capturar ela e seu irmao, e leva-los para algum lugar desconhecido. Quando Ele aparece. Ela se lembrava do momento com exatidão, ela e Nico estavam implorando por ajuda, quando um rapaz moreno de olhos verdes da cor do oceano chega e os protejem. Pronto, ela se apaixonou, nunca havia se apaixonado antes, então o ela primeiramente confundiu os seus sentimentos por medo, ou surpresa. Mas era amor. 
Alguns minutos apos o ocorrido, ela sabia que ele não ficaria com ela, havia uma garota chamada Annabeth, e a forma que ele olhava pra ela... Nossa, Bianca desejava que alguém olhasse assim para ela, principalmente se fosse Ele, ou melhor dizendo, Percy.
A dor que ela sentiu ao ver os dois, pois era notável que a menina loira de olhos cinzentos sentia o mesmo, a fez aceitar o convite para se tornar uma caçadora.
...
Durante a missão, Bianca pegara uma estatua de mitomagia de seu pai, Hades, para seu irmão, Nico, sem saber das consequências que aquele ato traria. 
Quando o robô gigante, construído por Hefesto, chegou e Percy queria entrar lá - e se sacrificar por todos os outros - a única coisa que ela poderia fazer e impedi-lo.
Ele havia uma vida inteira com a mulher que ele amava, e não importa com quem, se Percy ficasse feliz, mesmo que, infelizmente, não fosse ao seu lado, ela ficaria feliz. Ela só tinha ao irmão, mas ele poderia ter outras pessoas. Por isso antes de ir em direção a morte, Bianca fez Percy prometer que iria cuidar de Nico, por ela.
E caminhando em direção ao robô, sabia que fazia a coisa certa.
Amar, não e ser obcecada por uma pessoa e tê-la sempre ao seu lado. Mas sim, deixar a pessoa ser livre e feliz, independente das consequências que poderiam surgir.

sábado, 29 de setembro de 2012

1° Capítulo: A Marca de Atena (completo)

 
ATÉ SE ENCONTRAR COM UMA ESTÁTUA EXPLOSIVA, Annabeth achou que estava preparada para qualquer coisa.
     Ela passou por todo o convés do navio de guerra voador deles, o Argo II, checando duas vezes as balistas para ter certeza de que estavam bloqueadas. Ela confirmou se a branca bandeira de "Nós viemos em paz" estava voando do mastro. Ela revisou o plano com o resto da tripulação - e o Plano B, e o Plano B, para o Plano B.
     Mas importante, ela deixou de lado seu acompanhante louco por guerra, Treinador Gleeson Hedge, e o encorajou a tirar a manhã de folga em sua cabine e vendo reprises de campeonatos de Artes Marciais Mistas. A última coisa que eles precisavam em um trirreme Grego mágico indo em direção a um acampamento romano potencialmente hostil, era um sátiro de meia idade com roupas de ginástica e segurando um bastão e gritando "Morra!"
     Tudo parecia em ordem. Até aquele frio misterioso que ela vem sentindo desde que o navio lançou se dissipou, pelo menos, até agora.
     O navio de guerra desceu através das nuvens, mas Annabeth não pode parar de se perguntar. E se for uma péssima ideia? E se os Romanos entrarem em pânico e os atacaram quando estiverem à vista?
     O Argo II definitivamente não parecia amigável. Duzentos metros de comprimento, um casco banhado em bronze, montado com escudos que se repetiam da parte fronteira até a parte traseira do navio, na frente, a cabeça representativa de um dragão flamejante, e duas balistas rotativas que podem lançar pequenos explosivos suficientemente forte para explodir concreto... bem, não era o passeio mas apropriado para dizer um olá aos vizinhos.
     Annabeth tentou avisar os Romanos. Ela pediu para Leo enviar uma de suas invenções especiais - um pergaminho holográfico - para alertar seus amigos dentro do acampamento. Esperamos que eles vejam a mensagem. Leo queria pintar uma mensagem gigante no casco do navio - E AEE? com uma carinha feliz - mas Annabeth vetou a ideia. Ela não sabia se os Romanos tinham senso de humor.
     Tarde demais para voltar atrás.
     As nuvens se dissiparam ao redor do casco, revelando o carpete dourado-e-verde de Oakland Hills abaixo deles. Annabeth agarrou um dos escudos de ferro a estibordo.
     Os seus três acompanhantes se posicionaram.
     Na popa, Leo corria de um lado para o outro como um louco, verificando medidores e indicadores de níveis. A maioria das pessoas ficaria satisfeita com um timão ou com um leme. Leo também instalou um teclado, um monitor, controles de aviação da Learjet (uma fabricante de aeronaves nos EUA), um dubstep soundboard (programa de mixagem), e um controle de movimentos com sensor de um Nintendo Wii. Ele poderia virar o navio puxando o acelerador, lançar armas pela mostragem de álbuns, ou levantar as velas sacudindo os controles do Wii muito rápido. Até mesmo para os padrões de um semideus, Leo tinha um caso sério de hiperatividade.
     Piper andava de um lado para o outro entre o mastro principal e um balista, praticando suas falas.
     - Abaixem suas armas, - Ela murmurou - Nós só queremos conversar.
    Seu charme era tão poderoso, que suas palavras fluíram sobre Annabeth, enchendo-a com o desejo de largar a sua adaga e ter uma longa e amigável conversa.
     Para uma filha de Afrodite, Piper fez um grande esforço para minimizar sua beleza. Hoje ela vestia jeans esfarrapados, tênis desgastados, e uma regata com desenhos cor-de-rosa da Hello Kitty. (Talvez fosse uma brincadeira, mas Annabeth nunca poderia ter certeza com Piper.) Seu irregular cabelo marrom estava trançado para o lado direito, com uma pena de águia.
     E também havia o namorado de Piper, Jason. Ele estava na plataforma superior da proa, onde os Romanos poderiam facilmente enxergá-lo. As articulações de seus dedos estavam brancas no punho de sua espada de ouro. Por outro lado, ele estava bastante calmo para um cara que estava se fazendo de alvo. Por cima de seus jeans e de sua camiseta do Acampamento Meio-Sangue, ele usava uma toga e uma capa roxa, símbolos de sua antiga posição como pretor. Com um cabelo despenteado pelo vento e seus gélidos olhos azuis, ele estava lindo e controlado, assim como um filho de Júpiter deveria ser. Ele cresceu no Acampamento Júpiter, então esperamos que seu rosto familiar faça os Romanos hesitarem antes de explodirem o navio no céu.
     Annabeth tentava esconder isso, mas ela não confiava muito nesse cara. Ele agia perfeito demais, sempre seguindo as regras, sempre fazendo algo honroso. Ele até aparentava ser perfeito demais. No fundo de sua mente, havia uma irritante voz que dizia: E se isso for um truque e ele nos traiu? E se chegarmos ao Acampamento Jupiter e ele disser:
     - Hey, Romanos! Olhem esses prisioneiros e esse navio legal que eu trouxe para vocês!
     Annabeth duvidava que isso poderia acontecer. Mesmo assim ela não conseguia olhar para ele sem sentir um gosto amargo na boca. Ele fez parte da "troca" de Hera para apresentar os dois acampamentos. Sua Majestade Mais Irritante, Rainha do Olimpo, convenceu os outros deuses de que seus dois "tipos" de filhos - Romanos e Gregos - teriam que combinar forças para salvar o mundo da deusa do mal Gaia, que está despertando da terra, junto com seus terríveis filhos, os gigantes.
     Sem avisar, Hera tinha arrancado Percy Jackson, namorado de Annabeth, apagado sua memoria, e mandá-lo para um acampamento Romano. Em troca, os Gregos receberam Jason. Não que isso tudo seja culpa de Jason; mas toda a vez que Annabeth o via, ela lembrava do quanto ela sentia falta de Percy.
     Percy... que pode estar em algum lugar abaixo deles nesse exato momento.
     Oh, deuses. O pânico brotou dentro dela. Ela tentou arrancar o pânico dela. Ela não podia se dar ao luxo de se sobrecarregar.
     Eu sou uma filha de Atena, ela disse para si mesma. Eu tenho que seguir o meu plano, e não me distrair.
     Ela sentiu de novo - aquele familiar calafrio, como se um boneco de neve psicótico tivesse se arrastado até suas costas e estivesse respirando abaixo de seu pescoço. Ela se virou, mas não havia ninguém ali.
     Devem ser os nervos. Até mesmo em um mundo de deuses e monstros, Annabeth não poderia acreditar que um navio de guerra novinho estivesse assombrado. O Argo II fora bem protegido. Os escudos de bronze celestial ao longo do casco foram encantados para afastar os monstros, e seu sátiro a bordo, teria farejado qualquer intruso.
     Annabeth desejou poder rezar para sua mãe em busca de orientação, mas isso não seria possível agora. Não depois do mês passado, quando ela teve aquele horrível encontro com sua mãe e recebeu o pior presente de sua vida...
     O frio a pressionou ainda mais. Ela pensou que ouviu uma voz ao vento, rindo.Todos os músculos de seu corpo ficaram tensos. Algo estava prestes a dar terrivelmente errado.
     Ela quase ordenou para Leo reverter o curso. Então, no vale abaixo deles, cornetas soaram. Os Romanos haviam visto eles.
     Annabeth achou que sabia o que esperar. Jason havia descrito o Acampamento Júpiter com grandes detalhes. Mesmo assim, ela teve dificuldade de assimilar o que seus olhos viam. Rodeada por Oakland Hills,  o vale era, pelo menos, duas vezes maior que o Acampamento Meio-Sangue. Um pequeno rio serpenteava em torno de um lado e enrolava em torno do centro como a letra G maiúscula, desaguando em um brilhante lago azul.
     Exatamente abaixo do navio, situado na margem do lago, a cidade de Nova Roma brilhava ao Sol. Ela reconheceu alguns marcos que Jason já havia falado - o hipódromo, o coliseu, os templos e os parques, o bairro Seven Hills com suas ruas sinuosas, vilas coloridas, e jardins floridos.
     Ela viu evidencias de recente batalha Romana com um exercito de monstros. A cúpula estava rachada em um prédio que ela supôs ser a Casa do Senado. A praça ampla do fórum estava repleta de crateras. Algumas fontes e estátuas estavam em ruínas.
     Dezenas de crianças em togas saiam da Casa do Senado, para obter uma visão melhor do Argo II. Mais Romanos emergiram dos cafés e lojas, falando sobre e apontando para o navio que descendia.
     Mais ou menos meia milha à Oeste, onde as cornetas soaram, havia um forte Romano em uma colina. Parecia com as ilustrações que Annabeth via em seus livros de História Militar. - Com uma linha defensiva com picos de trincheira, enormes paredões, e torres de visão armadas com balistas de escorpião. Dentro do forte, barracas brancas seguindo uma linha forrando a estrada principal - a Via Principalis.
     Uma coluna de semideuses emergiram dos portões, armados com lanças cintilantes enquanto corriam em direção da cidade. No meio da multidão havia um elefante de guerra de verdade.
     Annabeth gostaria de pousar o Argo II antes das tropas chegarem, mas o chão ainda estava a centenas de metros de distância. Ela examinou a multidão, esperando encontrar Percy.
     Quando algo fez BOOM!
   
     A explosão quase a lançou para fora do navio. Ela se virou e seus olhos se encontraram com os olhos de uma estátua furiosa.
     - Inaceitável! - ele gritou.
     Aparentemente, a explosão o levou até lá, no convés. Uma sulfurosa fumaça amarela rolou por seus ombros. Cinzas surgiram em torno de seu cabelo encaracolado. Da cintura para baixo, não tinha nada a não ser um pedestal de mármore. Da cintura para cima, ele era uma figura muscular vestindo uma toga.
     - Nós não permitimos armas dentro da Linha Pomeriana! - ele anunciou com uma voz de professor rigoroso - E com certeza nós não temos gregos aqui!
     Jason lançou um olhar para Annabeth que dizia "deixa comigo!"
     - Términus, - ele disse - Sou eu. Jason Grace! 
     - Oh, eu me lembro de você, Jason! - Términus resmungou - Achei que você teria um senso melhor antes de se aliar com os inimigos de Roma!
     - Mas eles não são inimigos...
     - É verdade - interrompeu Piper - Nós só queremos conversar. Se nós pudessemos...
     - Ha - disse a estátua - Não tente usar seu charme comigo, minha jovem. E largue essa adaga, antes que eu a retire de suas mãos.
     Piper olhou para sua adaga de bronze, que ela aparentemente esqueceu que estava segurando.
     - Hum... está bem. Mas como você poderia retirá-la da minha mão? Você não tem braços.
     - Impertinente! - Houve um POP e um clarão amarelo. Piper ganiu e largou a adaga, que agora estava brilhando e soltando fumaça.
     - Sorte sua que acabei de sair de uma batalha! - Terminus anunciou - Se eu estivesse com toda a minha força, eu já teria explodido esse monstruosidade no céu.
     - Espera ai? - Leo andou em direção a Términus e soltou travando seu controle do Wii - Você chamou meu navio de monstruosidade? Eu sei que você não fez isso.
     A ideia de ver Leo atacando a estatua foi o suficiente para tirar Annabeth de seu choque.
     - Vamos nos acalmar. - Ela levantou suas mãos para mostrar que não estava armada - Você deve ser Términus, o deus das fronteiras. Jason me falou que você protege a cidade de Nova Roma, certo? Eu sou Annabeth Chase, filha de...
     - Oh! Eu sei quem você é! - A estátua a encarou com seus olhos brancos - Uma filha de Atena, forma grega de Minerva. Escandaloso! Os gregos não tem senso de decência. Nós Romanos sabemos o lugar certo daquela deusa.
     Annabeth cerrou sua mandíbula. Essa estátua não estava tornando fácil a diplomacia.
     - O que você quer dizer com, essa deusa? E o que tem de tão escandaloso...
     - Está bem! - interrompeu Jason - De qualquer jeito, Términus, nós estamos aqui em uma missão de paz. Nós adoraríamos ter permissão de pousar para que nós...
     - Impossível! - o deus guinchou - Abaixem suas armas imediatamente e se rendam, depois vão embora!
     - Qual dos dois? - Leo perguntou - Se render, ou ir embora?
     - Os dois! - Términus disse - Se rendam, então vão embora. Estou batendo na sua cara por fazer uma pergunta tão estúpida, garoto ridículo! Você sente isso?
     - Wow - Leo estudou a estátua com grande interesse - Você está enrolado. Será que você perdeu algum parafuso? Eu poderia dar uma olhada.
     Ele trocou seu controle do Wii por uma chave de fenda de seu cinto de ferramentas mágico e começou a  bater com ela no pedestal de mármore.
     - Pare com isso! - Términus insistiu. Outra pequena explosão fez Leo soltar sua chave de fenda. - Armas não são aceitas em solo Romano dentro da Linha Pomeriana!
     - O que? - Piper perguntou.
     - Limites da cidade. - Jason traduziu.
     - E esse navio inteiro é uma arma! - Términus disse - Vocês não podem pousar!
     Lá embaixo no vale, uma legião de reforços estavam a meio caminho da cidade. A multidão saindo do fórum é mais de cem agora. Annabeth verificou os rostos e... oh, deuses. Ela viu ele. Ele estava indo em direção ao navio com os braços em volta de outras duas crianças como se eles fossem melhores amigos - um garoto corpulento com cabelo escuro cortado rente a cabeça, e uma garota usando um capacete de cavalaria romana. Percy parecia tranquilo, feliz. Ele usava a mesma capa roxa de Jason - a marca de um pretor.
     O coração de Annabeth fez uma rotina de ginástica.
     - Leo, pare o navio. - ela ordenou.
     - O que?
     - Você me ouviu. Mantenha-nos exatamente onde estamos.
     Leo puxou seu controle para cima. Todos os noventa remos pararam no ar. O navio parou de descer.
     - Términus, - Annabeth disse - não existe regras sobre flutuar sobre Nova Roma, existe?
    A estátua franziu a testa - Bem não...
    - Então nós podemos deixar o navio aqui em cima, - Annabeth disse - Nós usaremos uma escada de corda para chegar ao fórum. Desse jeito o navio não estará em solo romano. Tecnicamente não.
    A estátua pareceu ponderar isso. Annabeth se perguntou se ele não estava coçando seu queixo com sua mão imaginária.
    - Eu gosto de tecnicalidades, - Ele admitiu - Ainda assim...
    - Todas as nossas armas estarão no navio, - Annabeth prometeu - Eu suponho que os Romanos - até mesmo esses reforços que eles estão trazendo - também terão que honrar as regras dentro da Linha Pomeriana se você falar com eles, certo?
    - É claro! - Términus disse - Eu tenho cara de quem tolera quebradores de regras?
    - Uh, Annabeth... - Leo disse - Você tem certeza de que essa é uma boa ideia?
    Ela fechou os punhos para que eles parem de tremer. Aquele calafrio ainda a pressionava. Flutuando bem atrás dela, e agora que Términus parou de gritar e de causar explosões, ela pode sentir uma presença rindo, como se estivesse gostando das más escolhas que ela estava fazendo.
     Mas Percy estava lá embaixo... ele estava tão perto. Ela precisava encontrá-lo.
     - Vai ficar tudo bem, - ela disse - ninguém estará armado. Nós poderemos conversar em paz. Términus vai fazer com que cada lado obedeça as regras. - Ela olhou para a estátua de mármore - Nós temos um acordo?
     Términus fungou - Acho que sim. Pelo menos agora. Você pode descer pela escada até Nova Roma, filha de Atena. Por favor tente não destruir minha cidade.
 

Fanfic: E ele era grande assim, papai?



  • - Grande? Era enorme, filho.
  • - E Zeus derrubou ele sozinho?
  • - Não, todos os deuses se uniram contra Tifão, mas que realmente ajudou a finalizar foi meu pai, Poseidon.
  • - Vovô Poseidon?
  • - Ele chegou em sua carruagem com os cavalos marinhos e toda sua tropa...
  • - Ele é demais!
  • Annabeth sorria, a acariciar os cabelos de seu filho Luke de seis anos e assistir seu marido contando sobre a Segunda Guerra de Titãs, com as costas escoradas em fofas almofadas por causa da sua barriga enorme de oito meses. Todos os três deitados sob o céu estrelado no jardim.
  • Percy suspirou, os olhos verdes no céu.
  • - Sim, filhão, ele é demais. Mas não acabou ai...
  • - Não? Tem mais? Coooonta, por favor!
  • - Você tem que ir dormir, amanhã cedinho vamos para o Acampamento e sabe que Quíron...
  • -... Vai querer treinar. É, já sei, já sei... Por favor, papai, só hoje!
  • - Só se sua mãe não estiver muito cansada.
  • Dois pares de olhos verdes encararam seu rosto a espera de uma resposta. Deu um sorriso calmo.
  • - Eu e a Silena estamos bem aqui, mas só hoje, Luke.
  • - Oba, obrigada, mãe - e ele deu um beijo em sua bochecha. - Vai, pai, continua.
  • Outra vez mais, seu garoto acomodou a cabeça em seu ombro enquanto Percy acariciava sua barriga.
  • - Então, começou a luta entre semideuses e o exército de Cronos, o titã do tempo.
  • - Foi o que aquele semideus matou!
  • - Calma, garoto, você já sabe toda a história!
  • - Mas eu gosto dela. É a minha favorita. Papaaaai!
  • - Ok, ok, calma.
  • A filha de Atena riu do revirar de olhos de seu marido, mas sabia que ele se orgulhava daquilo.
  • - E foi a sua mãe quem foi uma das heroínas.
  • - Cabeça de alga!
  • - Ah, sabe que foi, sabidinha. Eu não teria entregado a faca a Luke se não fosse por você.
  • - Luke? Eu?
  • Percy encarou seus olhos com os verdes sorridentes. Desde aquele dia, da morte de Luke, Annabeth nunca mais vira Perseu ter nenhum ressentimento sobre o que o loiro fizera no passado. Inclusive, surpreendeu-se quando ele escolheu o nome do filho de Hermes para seu próprio filho.
  • - Não, querido. - Annie colou os lábios na testa de seu Luke - Esse foi o herói de onde seu pai tirou seu nome.
  • - O nome dele era Luke Castellan, um filho do deus mensageiro.
  • - De Hermes, pai? O que ele fez?
  • - Muitas coisas, filho, mas a principal foi que ele quem matou Cronos ao se...
  • - Ele morreu?
  • Os olhos verdes de seu filho fitaram os seus cinza com surpresa.
  • - Às vezes, querido, se exige um certo preço para grandes feitos.
  • - Mas... - a boca de Luke se abriu em um grande bocejo. - Eu não estou com sono.
  • - Ok, outro dia terminamos essas histórias, herói. Vamos, vou te levar pra cama.
  • Aceitando aquilo, Luke deu dois beijos em sua pessoa... um em sua bochecha e outro em sua barriga, desejando boa noite, antes de sair correndo atrás do pai que já ia mais a frente parecendo inerte em pensamentos. Até o filho pular em suas costas e os dois entrarem na casa brincando.
  • Annabeth sorriu ao estar sozinha a escutar o som das ninfas rindo baixinho e o canto de um lobo que a fez pensar em seus amigos.
  • - Obrigada, deuses, por isso. - sussurrou, em completa paz a afagar delicadamente a barriga por baixo da blusa "Semideus a Caminho. Se preparem monstros" que Percy havia lhe dado.
  • Ficou assim, quietinha, olhando a constelação de Zoë no momento em que sentiu um braço passar por seus ombros e um beijo ser colado em seu cabelo.
  • - Nosso filho dorme mais rápido que filho de Hypnos.
  • Ela riu baixinho a se aconchegar no peito dele. Dali escutava o coração do seu herói bater.
  • - Sabe, Percy?
  • - Sim, querida?
  • - Eu estava pensando que temos muita sorte.
  • - Eu me sinto o homem mais sortudo do mundo. Tenho uma mulher que é um gênio, um filho lerdo como eu e uma princesa a caminho. A não ser pelos monstros, é uma boa vida.
  • - Ou por estar salvando o mundo todo tempo, ou em missões, ou salvando sua loirinha...
  • - Ah, isso são coisas bobas.
  • Eles riram juntos. Então, Annabeth bocejou involuntariamente.
  • - Nem percebi que estava cansada.
  • - Vem, vamos pra cama. Não pode ficar perambulando por ai com nossa filha. Não temos mais dezessete anos, Annie.
  • - Hey, pai, deixa de preocupação, estamos bem.
  • Percy sorria de sua frase ao tocar seus lábios com os dele muito suavemente, somente para acelerar seu coração.
  • - É claro que me preocupo com quem amo. Agora, vem, vou te levar.
  • Seus olhos cinza se reviraram, mas deixou-o erguer sua pessoa nos braços.
  • - Eu consigo andar.
  • - Eu sei, senhorita Orgulho.
  • - Até que você é romântico.
  • - Isso é um elogio?
  • Os cabelos loiros se mexeram quando ela riu com os braços ao redor do pescoço dele que nem reclamava do peso enquanto andava.
  • - Sempre lerdinho, cabeça de alga.
  • - Hey!
  • - Te amo.
  • - Não é justo.
  • - Mas eu nem planejei nada!
  • - "Atena sempre tem um plano".
  • Uma vez mais, ela riu da imitação da primeira frase que disse a ele na Caça a Bandeira.
  • - Sempre tem.
  • Então, haviam chegado ao quarto. Percy, suavemente, deixou seu corpo escorregar para enorme cama e antes de terminar lhe deu um beijo delicado. Olhos verdes amáveis.
  • - Eu vou tomar banho, nada de se esforçar.
  • - Não há muito o que eu possa fazer. Meus pés estão inchados. Tô parecendo um lestrigão.
  • Um dedo dele acariciou sua bochecha.
  • - Você é linda de qualquer jeito, sabidinha.
  • - Ok, nada de me deixar vermelha, vai lá, vai, cabeça de alga!
  • - Gênio.
  • Com mais um beijo, ele foi tirando a blusa para o banheiro, fazendo-a rir, e então estava sozinha. Não precisou de muito para fechar os olhos, caindo rapidamente em um sono cansado. E a ultima coisas que ela notou antes de apagar por completo foi o braço dele em seu quadril e a voz rouca sussurrar.
  • - Eu te amo, sabidinha.

Créditos: Daughter of Zeus

Bem Vindos

Eu sou super fã dos livros do Rick Riordan e encontrei um site, onde se pode ler online os cinco primeiros capítulos de A Marca De Atena.

Eu não tenho direito sobre nada. Os direitos do livro são de: Rick Riordan (autor), Disney Hyperion (editora) e aqui no Brasil da Intrínseca (editora). Sou apenas uma fã, que quer compartilhar as experiencia maravilhosa que é ler, pelo menos os primeiros capítulos de A Marca de Atena.

Muito Obrigada.